terça-feira, 1 de novembro de 2011

O NEVOEIRO

Céu cinza.
Terra cinza.
Mar cinza.
Do nada, surge um nevoeiro.

Esse nevoeiro toma a forma de uma mulher.
Parece que ela emergiu do mar.
Será a minha imaginação?
O som da brisa parece dizer:
"Veja o que você quiser!".
Penso em toca-lá.
Mas evapora.
Ela desaparece.
Assim como a vida.
Tudo é temporareo.
Tudo vai embora.
Menos a imagem que fica em minha memória.

(O NEVOEIRO, 2011)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

OLHO DE TWIG

A lente da câmera
É como se fosse uma passagem
Para um outro mundo
Onde o observador vê o mundo do observado
Meio expressivo
Meio surreal
Um desenho vivo a nankin
Mas o nankin acaba no meio da passagem
Do claro ao escuro
Do outro lado se vê um leque
Cobrindo um rosto
O leque se afasta
Como uma meia lua
Mostra a outra face
É uma descendente
Ela também vê
Seu olho esquerdo mostra o que acontecerá no futuro.
Os papéis se invertem.
Ela que era observada agora é a observadora.
E o que era claro vira escuro
E o que era escuro vira claro.

(OLHO DE TWIG, 2011)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SHE'S ELECTRIC

As vezes, quando você conhece alguem na fila do cinema.
E essa mesma pessoa tira da bolsa uma câmera.
Pra registra alguns rostos ao redor dela.
Horas depois da sessão.
Você liga o computador e bate um papo virtual com ela.
Descobre suas paixões.
Beatles, fotografia e violão.
Uma história sem fim.
Retrata e retrato bem ela na real.
No preto e branco.
Como se ela estivesse num cenário expressionista.
Olhando para um certo ponto.
Um ponto de fuga.
E quando pergunto que nome daria.
Pensei em "She's Electric" do Oasis.
E sua resposta foi:
"CAN I BE ELETRIC TOOOOOOOOOO"
"Adoro essa música!"
Opa, então acertei.
Ela é elétrica!

Um trecho da canção "She's Electric" traduzida:
"Ela é elétrica, Eu também posso ser elétrico também?
Eu posso ser elétrico também?
Eu posso ser elétrico também?
Eu posso ser elétrico também?"

(SHE'S ELECTRIC, 2011)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

FRAGMENTOS

Walking In My Shoes
Quando desenhei estes desenhos, eram pra ser apenas rabiscos. Tanto que nem foram arte-finalizados na época. Isso foi em 2008. Já em 2011, resolvi arte-finalizados.
Para desenha-los, tive como referência quatro clipes da banda inglesa Depeche Mode. "Walking In My Shoes", "In Your Room" e "Barrel Of A Gun", ambos dirigidos por Anton Corbijn. Cada desenho é uma cena, ou um fragmento do clipe.
Em "Walking In My Shoes", mostra um monge rasgando a página de um livro que poder ser uma Bíblia.
In Your Room
Para "In Your Room", o vocalista Dave Gahan em sua fase cabeluda, com a cabeça baixa e de braços cruzados, como se estivesse preso. Preso no vício das drogas. Ele foi e voltou do inferno.
Barrel Of A Gun
"Barrel Of A Gun", dois fragemtos. O primeiro, o vocalista tentando canalizar todos os seus demônios em rabiscos numa grande folha de papel. O segundo, o guitarrista/vocalista Martin Gore, agachado em um canto com as mãos na cabeça em dores como se estivesse tendo convulsões.
Barrel Of A Gun
Fé, Inferno e Dor (Faith, Hell and Pain). Bem-vindos ao mundo do Depeche Mode.

(FRAGMENTOS, 2008/2011)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

PROMETIDA PÓS-MORTE DE VAN GOGH

O que era pra ser uma conversar sobre minimalismos, acabou virando uma conversa sobre expressionismo.
"Prometida Pós-Morte de Van Gogh", assim ela era chamada pelos amigos. Não só pela paixão deste movimento artistico mas também do artista Vincent Van Gogh.
A partir de seu processo de criação e fazer uma releitura de uma foto sua onde está deitada na cama lendo um livro. Nesta versão, ao invés de cama, um tumulo. E ao seu redor, o que era um quarto, virou um cubiculo bem fechado como se aquilo fosse o seu mundo. E a prometida, com seu cabelo cor de fogo.
Em seu mundo, ela lê uma frase e fantasia o resto. Seu livro é como se fosse a janela de um ônibus. Seu ateliê. Viajar sozinha. Observando e se alimentando da vida dos outros. Ela odeia conversar com gente estranha. Ela diz: "Para de falar. Não vê que estou tentando criar".
E depois ela volta pra casa e escreve. As vezes por meses. E depois transforma em materia.

(PROMETIDA PÓS-MORTE DE VAN GOGH, 2011)

sábado, 20 de agosto de 2011

PELÍCULA

Sabe quando você esta em um certo ponto de vista e bem a sua frente observa algo que se não for registrado em foto será registrado em desenho. Isso acontece muito comigo.
De cabeça baixa e com a franja cobrindo seu olho esquerdo. De franja, me veio a mente cortina. Mas não qualquer cortina. Uma cortina de cinema.
Captar por alguns minutos aquele momento, me lembrou das aulas de fotografia. Onde se falava muito de Henry Cartie-Bresson e sua "fotografia de momento". Outra lembrança das aulas de fotografia foram as leituras do livro "Filosofia da Caixa Preta" de Flusser.
Associando a fotografia com o cinema, o nome "Película", que no espanhol significa "Filmar". Captar cada momento de cada cena.
Ela é uma Película.

(PELÍCULA, 2011)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O ESPANCADOR

2º versão
Não preciso de olhos
Pra ver a realidade em sua volta
Na palma da mão
Além de sentir
Chora o sangue de mulheres e crianças
Quem tem olhos
Não vê o que se passa na real
Violência
Seja verbal
Ou seja física
Na palma da mão
Gera o medo
E esse medo
Fortalece o espancador
O espancador tem fome de medo
E sem o medo
O espancador não é nada
1º versão
Primeira e a segunda versão inspiradas em um dos personagens do filme "O Labirinto do Fauno" (2006), do Diretor Guillermo Del Toro. Envolvendo a fantasia e a realidade brutal que existe até hoje.

(O ESPANCADOR, 2008)