quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O ESTRANGEIRO

1994. Foi quando participei do meu primeiro curso de quadrinhos realizado na Gibiteca do Centur. Cada participante teria que criar uma história de quadrinho de uma ou duas página para fazer parte do fanzine "Oficina Comix". "O Estrangeiro" foi a história que criei durante o periodo do curso. O preto e branco já eram bastante presentes em meus desenhos. Na época eu não sabia muito o que passar. Hoje, me vejo como o personagem deste quadrinho. Me sinto um estrangeiro numa terra que pouco se cria e andando de baixo de chuva a noite. Me sentindo um estrangeiro numa terra fora do eixo.
Os anos passaram, fiquei mais velho, assim como o papel que ilustra este desenho. Mas o nanquim continua como se fosse o meu sangue.

(O ESTRANGEIRO, 1994)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ISA-LEX

Você tem fogo?
Se tiver, prepare-se pra se queimar.
Onde ela passa.

Deixa um rastro de cinzas e fumaça.
Em suas unhas.
Sangue.
Sua pele é tão branca quanto um drink de leite vindo de um mamilo humano.
Só assim ela se sente purificada.

Mesmo preferindo café.
Ela sai em busca do caos.
Destruir o lixo das galerias.
Você tem fogo?

(ISA-LEX, 2011)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

AS CORES REAIS

Eu não tenho medo de morrer
Mas tenho medo de perde pessoas queridas
Mesmo sendo um cara sollo
Canalizo todas as memórias que tenho dessas pessoas através do desenho
E nas cores
Quatro cores
Branco, preto, vermelho e cinza
Branco e Preto
Bem e Mal
O vermelho é o sangue da vida e da morte
E o cinza é a forma de suas almas
É a caixa em sua volta
Em todo seu universo
São as cores reias

(AS CORES REAIS, 2008)

domingo, 4 de dezembro de 2011

O DIA SEGUINTE



Comparações e semelhanças de um casal em sua própria dimensão. O estranho é além de viverem sua própria dimensão, o casal nem ao menos se conhecem.
Em preto e branco, os personagens são identificados apenas por Ele e Ela. Moram no mesmo prédio mas em apartamentos diferentes.
Ele, um músico. Ela, desenhista. O único elementos que eles tem em comum é um velho relógio vermelho.
O relógio toca às 08h00 da manhã. É quando o dia dos personagens começa. Praticando as mesmas ações. Uma após a outra, em forma continua. Desde o momneto em que acordam, até o instante em que se encontram elevador que dura por alguns segundos. O relógio toca às 08h00 da manhã.

Devo a realização deste projeto para:
Fotoativa, por ter selecionado o projeto no primeiro edital de videoarte.
A equipe: Bianca D'Aquino (Café, Cinema e Quadrinhos), Carol Matos, Ray Neto, Douglas Caleja, Krishna Rohini, Joabne Oliveira e Glenda Figueira.

"O Dia Seguinte" Foi exposto na 17º Salão de Pequenos Formatos na Galeria de Artes Graça Landeira e selecionado no II Noites Com Sol na mostra competitiva, ambos de 2011.

(O DIA SEGUINTE, 2011)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

SOLLO



Primeiro teste da animação "Sangue Sollo" intitulado "Sollo", feito durante a oficina de animação avançado ministrado por Marcos Magalhães (um dos fundadores e diretores do Anima Mundi).
Neste teste, foram capturados os dez primeiros desenhos e editados. Como era só um teste, a captura também foi feita na base onde estavamos desenhos, causando um efeito stop-motion.
Sempre que vejo este teste, eu me pergunto: "Será que eu devia ter deixando toda a animação "Sangue Sollo" desse jeito?"

(SOLLO, 2006)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O NEVOEIRO

Céu cinza.
Terra cinza.
Mar cinza.
Do nada, surge um nevoeiro.

Esse nevoeiro toma a forma de uma mulher.
Parece que ela emergiu do mar.
Será a minha imaginação?
O som da brisa parece dizer:
"Veja o que você quiser!".
Penso em toca-lá.
Mas evapora.
Ela desaparece.
Assim como a vida.
Tudo é temporareo.
Tudo vai embora.
Menos a imagem que fica em minha memória.

(O NEVOEIRO, 2011)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

OLHO DE TWIG

A lente da câmera
É como se fosse uma passagem
Para um outro mundo
Onde o observador vê o mundo do observado
Meio expressivo
Meio surreal
Um desenho vivo a nankin
Mas o nankin acaba no meio da passagem
Do claro ao escuro
Do outro lado se vê um leque
Cobrindo um rosto
O leque se afasta
Como uma meia lua
Mostra a outra face
É uma descendente
Ela também vê
Seu olho esquerdo mostra o que acontecerá no futuro.
Os papéis se invertem.
Ela que era observada agora é a observadora.
E o que era claro vira escuro
E o que era escuro vira claro.

(OLHO DE TWIG, 2011)